quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Aos moderninhos cheios de opnião

a liberdade de expressão é um direito básico
entretanto
às vezes deveríamos pensar no direito básico
de permanecer calado.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011



a Poesia se apresenta de várias formas
cachorro vadio
bebe água
e nem se importa

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Tragam-me as carcaças dos mortos
quando a noite chegar
Merda chovendo de todos os lados
Não há poesia suficiente
para aplacar a solidão
Não há garrafas de uísque sufucientes

A Derrota é uma dama Sagaz
te comprando cervejas numa noite de sábado
E você ainda visitando seus fantasmas
Tentado a se livrar da morte que habita seu peito
esse cheiro de enxofre em você

O Perdão tem um preço muito alto
os dias de chuva sozinho
com uma dose de rum para alimentar a dor
figuras anti-poéticas visitando seu abrigo lúgubre
a água que lava as janelas
aumentando a sujeira em você

A luz te mutilando os olhos
decepando sua capacidade de discernimento
Não há beleza que acalme a fúria
Não há veneno que restaure a paz

Tragam-me as carcaças dos mortos
quando a noite chegar
ainda estarei
bem aqui


*Tom Waits - Hold On*

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Visualização da imagem pura
esqueça a palavra
Luz e Sombra
P&B
Corte seco

Zoom In
o mendigo morto na calçada
Zoom Out
ninguém nota.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Não é que eu seja afeito às fugas. não considero mérito nenhum beber até a morte, ou até perder os dedos, como o Lemmy. Não considero virtude a necessidade canalha que me visita em noites tristes. As pessoas tentam me ajudar e eu me sinto abençoado. Entretanto me fecho um pouco mais. Meus problemas não são quadros em exposição agressiva. Não me entenda mal. Não sou melhor do que ninguém pra negar ajuda. Porém fecho a porta do quarto e ouço Tom Waits com uma fervorosidade devota. Me apego às músicas e garrafas e cigarros, na impossibilidade de me entrincheirar entre as pernas dela. Na impossibilidade de rasgar o peito em um blues obscuro. Deito-me sozinho em um quarto alugado. Procuro veias e não encontro. Então bebo um pouco mais. Choro e admiro a morte. Lady suave, que não pode ser trazida à força. Que nunca aceita uma ordem. Me contento com o acre gosto de vinho e continuo por aqui. Enquanto houver Tom waits e cerveja, ainda há uma réstia de esperança.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Solicito uma linha de espera para lugar nenhum. Eu, Fernando, espero pacientemente que não hajam lágrimas. Sei da deserção em noites de angústia. Da fúria em horas de caos. Frequento abrigos lúgubres infectados com o mais doce tipo de morte. Visito incertezas. Sei da insônia antes da morte.
Opto por abandonar o navio. Desisto desse barco imundo nomeado sociedade. Abro mão de novas escolhas. Minhas liberdades. A lua nunca será digna de meus filhos. E o mundo não é limpo o suficiente. Homens demais nele. Loucura, solidão, derrota. A imperdoável sabedoria do ser. A incosistência. incoerência. A falibilidade do Homem. Do Monstro.
Ainda amo alguns cães vadios. E uma mulher. Mas nem isso é capaz de me dar alento. Apagaram a luz, no fim do túnel. E simplesmente ligaram o som. Tocando a pior música do mundo. O som de gatilhos em movimentação frenética. Prestem atenção. Vocês vão ouvir também. É a arma na sua cabeça. Aguardando. O fechar dos seus olhos.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Key to the Higway

Quando entrar o solo de gaita

é só meter o pé na estrada

Dançar confirme a música não faz o meu gênero

Saio pela noite vagando solitário

em busca de algo um pouco mais ácido

A chave para a auto-estrada no bolso esquerdo

Um drink com a morte no caminho

Solidão têm um quê de Fascínio

mas na real não é tão bonito assim

Fazer versos é mais um hábito

não existem muitas outras rotas de fuga

É mais fácil caminhar pelo lado errado da estrada

e nunca deixar uma porta aberta pra trás



Quando o solo de gaita começar

É só meter o pé na estrada

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

E com a ponta da mão. Apronta o soco. Não abaixa. Desguia, por via das. Dúvidas. Segue caindo. O soco preso. No páreo do ar. O soco que não foi. Soco. A alma caindo. Embaixo da calma. Da cama. Da sala. O ar a ponto de. Fuga. Fervura. Luxúria. E a puta. Onde está? Desviou do soco. Desguiou. Fugiu. Pagou pra ela. E ela nem chupou. A puta. Puta filha de uma puta. Essa puta. Deixou o ar com cheiro de. Lavanda. Amanda. Era esse o nome da puta. Não se lembra? Quis bater-lhe por ódio e medo. Ou seria por tédio e apego? Não. Era medo. Mas medo de quê? De amar. Gozar. Casar e não trepar. Uma vez puta sempre puta. Não podia dar-lhe casa. Comida. Roupa lavada. Seria corno de toda a putada. Pra toda a vizinhança enxerida. Metida. Fodida. E puta se regalaria. Não seria mais puta. Se tivesse acertado. O soco. O soco que nunca foi. Soco. Ele era coxo. Mambembe. E roto. Ela foi-se. Ele. Mal teve tempo. De preparar-se. Ela lhe havia deixado. Um presente. Uma calcinha usada. Meio litro de uísque. Um pouquinho de raiva. E a coragem. Pro formicida.







(Texto originalmente publicado em: http://diariodinossauro.blogspot.com/ )

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Por menor que seja

que a verdade seja dita:

Não há

nenhuma verdade

em você.







*Jorge Benjor - Os Alquimistas*

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Eu não sei lidar com a morte.
Acho mesmo que ninguém sabe.
Eu bebo e tento me lembrar de bons momentos.
É o melhor que posso fazer.
Não vou mais à velórios nem enterros.
O último que fui foi o da minha avó.
O pior dia da minha vida.
A morte é uma dama caprichosa.
Ela não aceita tributos pequenos.
Não pago os meus.
Talvez ela venha me buscar um dia.
Não pretendo mostrar respeito.
Vou cuspir na cara dela.
"Sua puta."


ps. Isso não é literatura. Eu sei.


*Ramones - I believe in Miracles*

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Metafísica de boteco tem mais matéria do que uma rocha. Me sento aqui e sinto o acre sabor de mentiras servidas em copos lagoinha. Saboreio incertezas com uma fome indevassável. Freqüento lugares em minha mente desconhecidos até pra mim mesmo. Escuto as bobagens mal ditas ao redor. Penso em assassinato. Apenas penso. E atiço minhas angústias contra o mundo. Penso em minhas incertezas e me lembro dela. Então um pouco de paz me visita. Rapidamente. Tempo suficiente pra que eu me controle. Até o próximo gole.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Fiz escolhas na minha vida. Algumas são difíceis de lidar com. De outras tenho muito orgulho. Tenho muito orgulho de ter me casado com uma mulher que amo profundamente. De ter um filho maravilhoso com ela. Porra, não tô dizendo que é fácil. É foda. Brigamos, ficamos putos um com o outro, temos nossos desacertos. Mas, sempre, sempre vale a pena. E tenho muito orgulho de ter escolhido viver no meu canto do córner. No meu lado da rua. Me interesso por coisas que a esmagadoria maioria das pessoas simplesmente ignora. Possuo um tipo de humor difícil do qual quase ninguém gosta. frequento botecos de esquina e nunca, jamais, barzinhos da moda. Não vou à shopping's a não ser com o único intuito de ir ao cinema. Não vou a casas de shows, à motéis elegantes e nem a pub's irlandeses. Não tenho dinheiro nem estômago pra essas coisas. Não gosto do papo das pessoas que frequentam esses lugares. Gosto do meu cantinho do balcão. Da minha mesa, no fundo do bar. Aprecio um blues soturno enquanto bebo uma cerveja. Vigio a noite e espero. Sem pressa. Que as pessoas acordem. Ou não.

sábado, 30 de abril de 2011

Intervalo

Ninguém te contou que a vida era uma merda.
pois é
nem tão simples quanto parece.
ilusões se manifestam das maneiras mais doces possíveis
e você,
calejado, cansado, conhecedor dos meandros da vida, essa puta,
ainda cai.
não há mistério nas maneiras nada sutis da vida te destruir
ela começa com mentiras suaves
e aos poucos vai te levando pro buraco
você pode até acreditar que tudo ainda vai dar certo
é isso que a vida quer
mas mantenha em mente a possibilidade de derrota
a vida não perdôa os idiotas
a vida não perdôa ninguém,
na verdade
e se você acha que pode escapar
me desculpe
mas você não passa de um imbecil da pior espécie

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Sobre como me tornei um Dinossauro .4

.4

É sexta-feira à noite e eu caminho. Ou quase isso. Trafego da melhor maneira que posso do lado de dentro do passeio. Caminho lentamete, estudando cada passo, pois sei que é perigoso andar imprudentemente no meu atual estado. Eu estou naquele passeio caminhando, mas estou totalmente fora de mim. Meu nariz não para de sangrar, e, agora que reparei melhor, estou mancando um pouco, pois minha perna esquerda dói terrivelmente. É uma boa maneira de lembrar que ainda se está vivo. Entrar numa briga que você não pode ganhar. Não ganhei nada com aquela briga. A não ser a certeza de que eu ainda estava vivo. Se eu pudesse me lembrar, agora, neste momento, quem me deu essa surra dos diabos, mandaria-lhe um buquê de flores. Com um bilhetinho assim: Obrigado, seu safado, por me manter vivo, e acordado.
Demorei pra chegar em casa. E dormi como uma pedra. Na outra manhã. Eu era um outro homen.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Sobre como me tornei um Dinossauro .3

.3

Tenho trabalhado cerca de dez horas por dia, pois não suporto ficar nesta casa vazia. Ela já levou tudo. Desmontou o quarto do nosso filho. Ela me deixou ficar com nossa cama. Com a televisão. O som. A geladeira. O fogão. O resto ela levou. Não tenho mesas ou cadeiras. Não tenho copos. Como alguém deixa um fogão pra trás mas leva todas as panelas? Eu não possuo mais a poltrona em que me sentava para ler histórias fantásticas para nosso filho. Nem a rede em que tantas vezes fodemos loucamente ou pusemos nosso filho, ainda bebê, para dormir. Não possuo mais nada que valha alguma coisa no mercado de móveis. E nem resquícios daquilo que um dia foi minha alma.

domingo, 3 de abril de 2011

Sobre como me tornei um Dinossauro .2

.2

Sinos de igreja e buzinas. Não sei onde estou. Só sei que é alguma porra de cidade velha e fedida onde ela deve ter me convencido a levá-la. Alguma babaquice sobre a história importante da vila na inconfidência mineira ou algo que o valha. No buteco onde estou a cerveja é terrivelmente quente e não há cadeiras ou bancos. Bebe-se em pé, encostado no balcão. Eu não a vejo. Não sei onde ela está. Então pago e saio com pressa, pois se não estou aqui com ela eu devo ter ficado mesmo maluco. E então eu a vejo. Do outro lado da rua, numa daquelas praças rídiculas de cidades do interior. Ela está lá. Beijando outro homem.
Então eu acordo.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Sobre como me tornei um Dinossauro

.1

“Que Deus tenha piedade de sua alma.” foi a última coisa que ela disse antes de ir embora. Eu não pude dizer nada. Eu nuca sei o que dizer. Apenas me sentei e continuei exterminando todas as bebidas que pude encontrar dentro de casa.
Então, era isso. Eu estava falido. Sozinho. Desempregado. Destituído de tudo aquilo que eu pensava um dia conquistar. E, invariável e inexoravelmente, triste. Numa hora dessas é possivel pensar, até com um certo charme, em tirar a própria vida. É possível pensar em dar a volta por cima como um héroi ou coisa do tipo e conseguir tudo de volta. É possível pensar em animosidades numa tarde de domingo e reparar em como depois daquele dia ela nunca te olhou do mesmo jeito. Mas o mais provável que se faça é continuar. De um jeito ou de outro. Aguentando as pontas da melhor maneira, tentando sobreviver e não perder a sanidade, o que é quase impossível, diga-se. E arranhando as paredes em noites de angústia acompanhado de um litro de uísque barato e um disco dos Bêbados Habilidosos.
Escritores de auto-ajuda diriam pra olhar para a frente e pensar que você pode ser o que quiser. Não eu. Isso é uma grande mentira. Eu queria ser astronauta, bombeiro, cafetão, integrante da máfia italiana, caçador de recompensa. E, no entanto, sou um especialista em matar baratas, semi-viciado em inseticida, que não tem mais mulher e com quem os filhos não falam. Meus amigos se resumem a alguns bêbados de esquina, e uma amiga que não vejo há quase dois anos. Toda a minha fortuna consiste em uma casa alquebrada, de dois quartos, uma coleção de livros e discos pelos quais ninguém além de mim e meia dúzia de bebuns no mundo se interessam, e a trilhardaria quantia de seiscentos dinheiros numa caderneta de polpança que minha mulher me convenceu a fazer. Não é uma vida pra se orgulhar. Mas, diga-me com sinceridade, alguém pode realmente se orgulhar de uma vida inteira nesse mundo de merda?
Eu queria ter respondido à ela, “Deus não liga pra nós, ele tirou férias”, mas não tive coragem. Eu queria ter me ajoelhado à seus pés e pedido que ficasse, mas sei que não adiantaria. Apenas tornaria as coisas piores. Apenas faria com que ela se afastasse ainda mais rápido de mim. Pensei em ligar pra ela, com a desculpa de levar as roupas dela até seu novo lar. Mas sei que ela não me diria onde está morando. Nem com quem, o que é mais importante. Então a única coisa que fiz foi me sentar e beber. Acho que, alguém deve concordar comigo, quando se está totalmente fodido, não há muito o que fazer. Apenas olhar a merda girando no ventilador.

sábado, 26 de março de 2011

primeiro vem o cheiro de merda. em seguida a mesma sensação de enjôo. de nojo. vertigem. o suicídio é uma saída possível. não. talvez pensar em morte tenha se tornado ridiculo demais pra alguém como eu. ainda penso na morte como uma lady sedutora. mas, pacientemente, como um cowboy antes de sacar, deixo ela de lado, me acompanhando como um papagaio de pirata. acendo um cigarro para acalmar as coisas e olho com uma indiferença miserável tudo que me cerca. não tenho colhões pra mandar tudo à merda então tento remanejar as coisas pra torná-las menos insuportáveis. vejo homens ignorantes caminhando com seus sorrisos satisfeitos e sinto um pouco de inveja. só um pouco. tempo suficiente pra pedir outra dose. a sensação de enjôo volta a cada gole. mas a vida não tem botão de reset. quem disse que tinha. aumento o volume. Tom Waits ainda consegue fazer milagres.



*Tom Waits - Hold On*

sexta-feira, 25 de março de 2011

não que deva fazer alguma difernça. fico sentado aqui assistindo californication, vendo a vida de um escritor desabando ao seu redor. vendo um homem com culhão enfrentando aquelas porras todas com um sarcasmo filha-da-puta e sabendo na verdade onde tudo aquilo quer chegar. não vou contar o que eles querem dizer. não há meio de dizer isso. posso dizer que às vezes sinto uma dor desgraçada e sei exatamente o que aquilo significa. isso basta.
escrever nunca foi uma benção para mim. escrever não é um deleite para mim. não é uma responsabilidade, nem um vício. escrever é como sair da água. depois de um mergulho que durou dias. e sentir o ar entrar rasgando por meus pulmões. escrever não é uma maldição. é só algo que preciso fazer.
mas, como eu disse, não que deva fazer alguma diferença.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Blues Número 1

Por Luiz Fantini e Fathead Mateus,
numa noite de muita cerveja!



Ela me mandou pra fora
e matou o meu gato
Me mandou pra encruzilhada
e fim de papo

Ela me deixou na mão
mas eu roubei sua calcinha
É uma grande puta sem vergonha
mas é toda minha

Eu estou tão cansado baby
tão cansado desse blues
mais uma dose é o meu bordão
no nosso quarto não tem perdão

Sei que te amo baby
mas não sou seu escravo
"O beijo amigo é
a vespera do escarro"

Levo uma vida bandida baby
e bebo como uma mula
Seu corpo me enlouquece baby
mas não saio das ruas

Me desculpe meu amor
vivo o Blues a cada dia
Nas quebradas da vida
com você e a boemia



ps. a citação é do Augusto dos Anjos

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Quando a conheci
eu não passava de um fedelho intrometido
surrupiando livros das prateleiras
Depois ela foi me dominando
apresentando suas curvas suaves
me aliciando com carinho
no início
A Poesia é uma dama sagaz
e quando te ganha
ela corta tuas bolas
chuta teus dentes
e te assiste chorar
e, enquanto vocẽ agoniza,
ela toma uma dose de uísque barato
A Poesia parece ser uma má companheira
ela adora que pensem isso
Mas depois da surra
ela é a única que pode juntar
os cacos de sua alma
e refazê-la brilhante
Para qeu você possa amá-la
e sangrar
Novamente


*Clube de Patifes - Noite em Claro*
(puta bluesão rasagado!!)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Altruísmo é uma palavrinha nojenta
e tenho frequentado-a com uma constância angustiante
tenho feito meu coração em pedaços por eles
e a invisibilidade de meus atos é torturante
Tenho feito de mim aquilo que nunca quis
(com cartão de ponto e sorriso no rosto)
e meus livros preferidos jazem na estante
e o gosto amargo de bile acompanha o sorriso forçado
as incertezas têm sabor de solidão
(e, acredite, nem todos os discos de blues do mundo podem aplacar a dor)
a redenção tem um preço muito alto
e eu não sei se posso pagar
a redenção, na verdade, fede a merda
e eu já não sinto o gosto de nada



*Edvaldo Santana - Chacina*