sábado, 24 de julho de 2010

Ela me olhou com aquela cara novamente
ela me olha e a angústia vêm se aproximando de minhas entranhas
Meus erros sempre me incomodaram muito
muito pouco
entretando ela fogo e fúria
e eu sou cinzas
sob seu corpo


*Ultraje - Giselda*

De volta porra!!! agora pra ficar!!!

terça-feira, 6 de julho de 2010

me sinto amargamente embriagado
ando caminhando torto
como um cachorro louco
me servindo de vinho do porto

tenho bebido pouco
sentindo frio em tardes ensolaradas
os idiotas me mostram seus sorrisos conformistas
acendo um cigarro

a inocência pode ser incrivelmente cruel

sexta-feira, 9 de abril de 2010

feel like a blue song

me sinto como uma canção blues
canto versos abomináveis
me sinto como uma canção blues
meu sangue azul de discórdia
me sinto como uma canção blues
meus poemas
sua glória



*Freddie King - same old blues*

segunda-feira, 1 de março de 2010

.divagações etílico-solitárias em uma mesa do vagalume I

.para o bróder K9

Ele chegou com os amigos e se sentou. Quatro homens felizes tomando cerveja e falando sobre futebol. Ele se destacou. À vontade no mundo. Sempre me surpreendo ao ver gente à vontade no mundo. Andava com a tranquilidade de um bicho preguiça no inverno. Poupando energia. Um olhar superior de quem sabe muito. E, no entanto, ignorante e feliz. Senti inveja. Eles beberiam até onze e meia da noite. Depois entrariam em seus carros e voltariam para suas esposas. Ele tinha uma esposa, também à vontade no mundo. Eles iriam ter, se já não tivessem, um casal de filhos, que também se sentiria à vontade no mundo. Filhos que cresceriam e passariam o natal em família. Filhos que teriam outros filhos. Gente à vontade no mundo, criando mais gente à vontade no mundo. Gente que seria sempre assim. E morreriam velhinhos, de fralda geriátrica, com sorrisos babões num domingo à tarde. A família seguiria. Todos à vontade. Até que o gene da insensatez, guardado por dezenas de gerações no DNA maldito, eclodiria no filho de um deles. Um garoto que aos dezoito anos tatuaria uma fênix no ombro direito, e uma rosa na batata da perna esquerda. Ouviria Cazuza e seria liberal. Faria festinhas malditas com meninos e meninas. Um dia o gene da insensatez daria à ele um outro filho. Este não se sentiria nada à vontade no mundo. Na adolescência eclodiria o ódio do pai meio bicha. Depois, com os livros e os discos, viria a compreensão e a paz. Esse saberia de onde vem a porra toda. Entenderia, aceitaria e até se divertiria com o pai. Nunca à vontade. Nunca quieto. Nunca satisfeito. Mas o homem no bar só queria sua cerveja. Eu o olhava com um misto de inveja e tristeza. Já disseram, várias vezes, ignorância é felicidade. Mas eu não troco. Não há paz. Ainda bem.

*Rage Against The Machine - Bulls On Parade*

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

No Bar

estou encostado no balcão, esperando minha cerveja. dois caras conversam ao meu lado, e bebem cerveja. não estava prestando atenção na conversa deles, até porque não faz muito meu tipo pescar conversa alheia. até que passa aquele avião. mulher de parar o trânsito. e um deles solta:
- Já comi.
ao que o outro responde:
- Porra, do caralho, como é que ela chama?
e ouço a pérola:
- Porra cara, e cê acha que eu lembro.

coisas do bar.



*Seasick Steve & The Level Devels - Cheap*

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

o que eu chamo de arte

viver e não ter a vergonha de ser feliz
felicidade nem tanto
serenidade
paz
poesia

um blues de Lead Belly às quatro da manhã
cigarro e cerveja
amigos

o que eu chamo de arte
não é necessariamente a grande obra
o que eu chamo de arte
é se sentar sozinho
numa noite de inverno
quando ela fugiu
e não chorar


*Beatles - Helter Skelter*

domingo, 6 de dezembro de 2009

Ao Amigo Que Não Tive

Mário Bortolotto levou uns tecos. Foda. Li muita coisa dele. Muita coisa. Eu o vi falando pessoalmente. E li muita coisa. E sei que o camarada não era do tipo que leva desaforo pra casa. sei que não era qualquer tipo de babaca. O cara é foda e sei que ele vai sair dessa. sei que Deus não vai ser cretino a ponto de sacanear o mundo desse jeito. sei que ele ainda tem muitas coisas boas pra fazer. sei que eu ainda quero ver muita coisa que ele ainda vai fazer. ele disse que pretendia escrever roteiros de quadrinho. to esperando. ele não vai me deixar na mão. quanto aos filhos da puta que fizeram isso com ele, não tenho nada a dizer. só que é uma pena. não conheciam o cara. tenho certeza que, se conhecessem, a história seria muito diferente.

vai dar tudo certo.